terça-feira, 12 de julho de 2016

AULA PRÁTICA PRINCIPIOS ELETROTERAPIA

Obs. Entregar relatório no dia 01 de agosto juntamente com o relatório de laserterapia de baixa potência.

1). Ajustar o equipamento de eletroterapia (escolha de modalidade terapêutica de baixa frequência) nos seguintes parâmetros T = 100ms e F = 75Hz.
2). Usar um dos canais de estimulação e colocar 1 eletrodo no aluno que receberá a eletroestimulação (ex. região anterior do ante-braço) e o outro na palma da mão.
3). Fazer contato do indicar com o corpo do colega e aumente a intensidade até sentir a corrente (formigamento = nível sensorial fraco).
4). Fazer “palpação elétrica” na área testada buscando pontos de gatilho (ou pontos de acupuntura, ou pontos motores ou área de inervação sensorial relacionada à dor referida). Você saberá que encontrou estes pontos de maior sensibilidade elétrica ao perceber mais corrente passando pelo seu dedo. Esses locais são “pontos de baixa impedância elétrica” por onde a energia da corrente flui com maior facilidade e, por isso, são pontos ótimos para estimulação devendo ser utilizados como alvo para estimulação.
5). Localize e marque 2 pontos e peça ao colega que fale qual a impressão sensorial deixada pela corrente (Anotar e prestar atenção no tipo de formigamento, se é agradável ou desagradável).
6). Feito isso, diminua a frequência (F) para o mínimo que o aparelho permitir (ex. F = 10Hz).
7). Pedir ao colega que compare com a sensação anterior (Melhor? Pior?).
8). Aumentar a F para 150Hz e repita o passo anterior (Melhor ou pior que a anterior?).
9). Teste mais 2 frequências (F = 25Hz, F = 80Hz).
10). Perguntar ao paciente qual a melhor F e em seguida mude a estimulação para o modo BURST e pergunte novamente (melhor? Pior?).
11). A estimulação terapêutica posterior à técnica do dedo deveria ser feita com os eletrodos colocados sobre os pontos que foram localizados, na frequência e modo que o paciente preferiu e com a intensidade fixada em nível sensorial forte.

Obs. Caso o colega relata algum desconforto quando a frequência for aumentada ou reduzida, reduza a intensidade da corrente.

Eletroterapia

Os estudos de caso que se seguem demonstram os conceitos da aplicação clínica da estimulação elétrica discutidos em eletroterapia. Com base nos cenários apresentados, propõem-se uma avaliação dos achados clínicos e objetivos do tratamento. Em seguida, há uma discussão dos fatores a serem considerados na seleção da estimulação elétrica como a intervenção indicada e na seleção dos parâmetros ideais para que a estimulação elétrica promova progresso rumo aos objetivos do tratamento. 
ESTUDO DE CASO 1 - Toracalgia e Cervicalgia
Exame
História: DS é uma jovem mulher de 28 anos, que foi indicada para fisioterapia com diagnóstico de dor torácica e cervical. DS queixa-se de aumento gradual da dor no pescoço e trapézio superior ao longo das últimas seis semanas. Ela relata que sua dor é pior ao fim do seu dia de trabalho como caixa de supermercado e nota que a dor está mais frequente e intensa que no mês passado. DS afirma que sua dor aumenta com o levantamento e transporte de cargas e qualquer rotação do seu pescoço. Ela teve algumas horas de trabalho reduzidas este mês, por causa do quadro alérgico. Ela foi avaliada por um clínico e a radiografia da sua coluna cervical foi negativa. Ela não tem histórias de arritmias e não tem marcapasso.
Testes e Medidas: A paciente afirma que a intensidade da sua dor cervical é de 6/10. A ADM ativa da sua extremidade superior está dentro dos limites normais, sua força é de 4+/5 bilateralmente e ela está limitada pela dor no pescoço. Sua força no rombóide e trapézio superior é de 4-/5 bilateralmente. A rotação do pescoço e a flexão lateral estão 75% do normal, com a dor bilateralmente.  A flexão anterior é desconfortável nos 30% finais da amplitude. A extensão está dentro dos limites normais. À palpação existem significantes nódulos no trapézio superior bilateralmente e pontos-gatilho ao longo da borda medial de ambas as escápulas. DS nega parestesia ou dormência nas extremidades superiores.
Por que esta paciente é candidata à estimulação elétrica? O que deve ser incluído no seu programa de tratamento? Que outros agentes físicos podem ser úteis?
Avaliação, Diagnóstico, Prognóstico e Objetivos
Avaliação e Objetivos:
·         Estado Atual: Cervicalgia e toralcalgia. ADM restrita. Diminuição da força do quadrante superior.
      • Objetivos: Controle álgico. Recuperar a ADM cervical normal. Recuperar a força normal do quadrante superior.  
·         Estado Atual: Dificuldade de levantar e transportar carga.
      • Objetivos: Retornar à capacidade normal de levantar e transportar carga.
·         Estado Atual: Diminuição das horas de trabalho.
      • Objetivos: Executar todas as funções relacionadas ao trabalho e voltar às horas normais de trabalho.
Diagnóstico funcional: Postura deficiente.
Prognóstico/Plano de Tratamento: Esta paciente não parece ter um problema ósseo, devido à normalidade da sua radiografia e à ausência de parestesia. Os nódulos do seu trapézio e os pontos-gatilho escapulares indicam uma causa muscular para a sua dor. Em geral, a TENS é um tratamento indicado para redução da dor. Outros agentes físicos tais como ultrasson ou gelo, e calor, podem ser usados em conjunto com a estimulação elétrica. Esta paciente não apresenta contraindicação ao uso da estimulação elétrica. 
Intervenção
Propõe-se que a estimulação elétrica seja usada para o controle da dor visando analgesia rápida e potente. Considerar interferencial vetorial (média frequência, despolarizada) e TENS (baixa frequência, despolarizada) Breve-Intensa.
INTERFERENCIAL VETORIAL
Tipo
Parâmetros
Colocação dos eletrodos

Mecanismo

Forma de onda

Frequência de pulso  (Hz)

Largura do pulso (ms)

Modulação (Modo)

Amplitude (mA)

Duração do tratamento (min)


TENS BREVE-INTENSA
Tipo
Parâmetros
Colocação dos eletrodos

Mecanismo

Forma de onda
Frequência de pulso  (Hz)
Largura do pulso (ms)

Modulação (Modo)

Amplitude (mA)

Duração do tratamento (min)


ESTUDO DE CASO 2 – Gonalgia (dor joelho) Medial
Exame
História: VP é uma mulher de 47 anos, faxineira, desenvolveu gonalgia medial 4 meses atrás. A cirurgia de artroscopia revelou uma ponta de desgaste da superfície troclear do fêmur, que foi então debridada. VP foi submetida a cirurgia 3 semanas atrás e foi encaminhada à clínica de fisioterapia para avaliação e tratamento. Ela tem tido dificuldade para estender sua perna direita e sustentar o peso total à direita ao caminhar e está incapacitada de trabalhar desde a cirurgia.
Testes e medidas: VP classifica quadro álgico direito em 8/10. À palpação do joelho direito da paciente, há ligeiro calor e hipersensibilidade. As incisões estão bem cicatrizadas. O perímetro no meio da patela direita é de 43 cm e da esquerda de 38 cm. A ADM articular do joelho direito é de 10 a 50 graus de flexão. VP deambula pequenas distâncias em casa sem a ajuda de aparelho, mas com o joelho direito em cerca de 15 a 20 graus de flexão em ortostatismo. Ela apresenta grau 4/5 de força de quadríceps à direita dentro da ADM possível.
Por que a estimulação elétrica seria uma boa escolha para esta paciente? Ela tem alguma contraindicação à estimulação elétrica? Quais são alguns objetivos apropriados?   
Avaliação, Diagnóstico, Prognóstico e Objetivos
Avaliação e Objetivos:
  • Estado atual: Gonalgia à direita, locomoção prejudicada, perímetro aumentado.
    • Objetivos: Controlar a dor no joelho e o edema, aumentar a ADM e aumentar a força.
  • Deambulação limitada e alterada.
    • Objetivos: Retornar à deambulação normal.
  • Incapaz de trabalhar.
    • Retorno progressivo das horas de trabalho.
Diagnóstico: Mobilidade articular, função motora, desempenho muscular e ADM prejudicados.
Prognóstico/Plano de Tratamento: A estimulação elétrica neuromuscular é um tratamento apropriado para esta paciente porque ajuda a gerar um nível de força maior do que a paciente pode gerar por conta própria. As contrações musculares estimuladas eletricamente ajudam a paciente a aumentar a força da extremidade inferior e pode auxiliar na drenagem do líquido ao redor do seu joelho, contribuindo para a melhora funcional. Esta paciente não tinha contraindicações ao uso de estimulação elétrica.
Intervenção
Para esta paciente, deveria ser usada a estimulação elétrica de média frequência (corrente russa ou interferencial heteródina) visto que objetivaremos aumentar a força muscular principalmente do quadríceps (lado direito).
CORRENTE RUSSA – corrente despolarizada com envoltório quadrático de 10 ms
Tipo
Parâmetros
Colocação de eletrodos

Largura do pulso

Frequência do pulso

Tempo On:OFF

Tempo de rampa de subida/rampa de descida

Tempo de terapia


ESTUDO DE CASO 3 – Entorse lateral (inversão) de Tornozelo
Exame
História: MC é um jovem estudante de 23 anos. Ele lesionou seu tornozelo durante uma partida de futebol na escola. Ele foi visto pelo médico ainda em campo e diagnosticado com entorse lateral de tornozelo grau II. Seu tornozelo foi envolto em gelo e ele foi enviado ao vestiário para acompanhamento imediato do fisioterapeuta. O paciente foi orientado a usar muletas sem descarga de peso sobre o tornozelo lesionado para preservá-lo.
Teste e Medidas: A inspeção visual mostrou que o paciente mantém seu tornozelo em uma única posição com extrema hesitação para permitir ao terapeuta mover a articulação. A ADM passiva revelou restrições em todas as direções. A ADM é mínima. A articulação talofibular lateral está sensível ao toque, com descoloração indicativa de hemorragia por toda a face lateral e uma dificuldade para visualizar o maléolo lateral devido ao edema. A área está quente ao toque e apresenta uma leve hiperemia. O estudante está saudável e nega história de câncer, diabetes ou qualquer outro problema de saúde.
Que tipo de processo está ocorrendo no tornozelo deste paciente? Que tipo de estimulação elétrica seria mais útil? Que aspectos da lesão do paciente iria resolver? Que outros agentes físicos podem ser usados junto com a estimulação elétrica?
Avaliação, Diagnóstico, Prognóstico e Objetivos
Avaliação e Objetivos:
  • Estado atual: quadro álgico no tornozelo esquerdo, edema e ADM diminuída.
    • Objetivos: Controlar o quadro álgico e o edema. Acelerar a resolução da fase de inflamação aguda. Aumentar a ADM.
  • Deambulação limitada e alterada.
    • Objetivos: Retornar á deambulação normal.
  • Incapaz de jogar futebol.
    • Retorno às partidas de futebol.
Diagnóstico: Mobilidade articular prejudicada, função motora e desempenho muscular e ADM associada à lesão do tecido conectivo.
Prognóstico/Plano de Tratamento: Devido ao mecanismo de lesão, houve um processo inflamatório. A estimulação elétrica usando a CPAV (corrente pulsada de alta voltagem) deve ser uma escolha apropriada de tratamento na medida em que ela tem mostrado retardar a formação de edema durante o estágio inflamatório da lesão e auxilia no processo de cicatrização tecidual. Não existe nada na história do paciente que sugira uma contraindicação ao uso de estimulação elétrica.
Intervenção
CPAV – corrente pulsada de alta voltagem
Tipo
Parâmetros
Colocação de eletrodos
Largura do pulso

Frequência do pulso
Modo
Amplitude

Tempo de tratamento




     


LASERTERAPIA BAIXA POTÊNCIA

Laserterapia de baixa potência
HO é um arquiteto de 38 anos de idade, portador de artrite reumatóide (AR). Foi encaminhado para a fisioterapia por causa da rigidez e da dor, particularmente nas articulações das mãos. Em tratamentos anteriores, ele foi instruído a fazer exercícios de ADM, atualmente realizados 3 vezes por semana. O trabalho do paciente inclui atividade manual no uso do computador e desenho dos projetos. Ele julga estar realizando essas tarefas de forma mais lenta, percebendo dificuldade para realizar alguns trabalhos de precisão. Demonstra preocupação de que isso afete a sua atividade laboral.
A medicação de HO abrange ibuprofeno e metotrexato que proporcionam algum alívio à dor e rigidez das mãos.
Nos testes e medidas, o paciente aparenta estar saudável de forma geral, embora caminhe de forma bastante rígida. Ele relata dor nas mãos na intensidade 4/10 em repouso e 7/10n com o movimento, e que as mãos apresentam rigidez particularmente nas primeiras horas matinais. A ADM encontra-se reduzida nas articulações de ambas as mãos, com leve desvio ulnas nas articulações metacarpofalangeanas.
Goniometria passiva em várias articulações:
·          Flexão interfalangeana do polegar: D = 80º E = 80º
·          Extensão IF do polegar: D = -20º E = -20º
·          Flexão da articulação proximal IF do dedo indicador: D = 90º E = 90º
·          Extensão da articulação proximal IF do dedo indicador: D = -20º E = -25º
·          Flexão da articulação PIF do dedo médio: D = 100º E = 90º
·          Extensão da articulação PIF do dedo médio: D = -20º E = -30º
A força de preensão foi 4/5 bilateral, limitada pela dor e rigidez.
Perguntas:
1.     Quais seriam os objetivos para a laserterapia?
2.     Que outras intervenções (cinesioterapia) deveriam ser consideradas?
3.     Quais os cuidados e precauções antes do uso devem ser verificados antes de aplicar da laserterapia de baixa potência nesse cliente?

4.     Descreva a técnica, parâmetros ajustáveis, cuidados a serem tomados e posicionamento durante a aplicação da técnica.  

terça-feira, 28 de junho de 2016

Diatermia

·         O que é onda eletromagnética? (características da onda: comprimento e frequência)
·         Medidas de fluxo
o   Voltagem
o   Intensidade ou amplitude
o   Potência (P = V x I)
o   Resistência – oposta à I (V = [I / R])
·         A dose e consequentemente o efeito fisiológico dependerão (medidas de fluxo e características da onda eletromagnética).
·         Definição de diatermia [tecidos bons condutores – sangue e músculo por possuírem moléculas com carga (íons, certas proteínas e água)].
·         Efeitos fisiológicos (térmicos e mecânicos)
·         Diatermia por ondas curtas
o   Eletrodo capacitor (disco e placas)
o   Eletrodo indutor (tambor)
·         Técnica de aplicação (coplanar e contraplanar)
·         Precauções, indicações e contra-indicações

Diatermia é uma modalidade de aquecimento profundo que converte ondas eletromagnéticas em calor. Onda é uma perturbação que ocorre em um meio podendo ter uma ou várias direções, possui natureza mecânica e elétrica. Aplicação de corrente de alta frequência ao corpo para produzir efeitos térmicos profundos e mecânicos.
A onda eletromagnética é uma onda tridimensional, possui período ou largura de pulso, freqüência e comprimento de onda. Quanto menor o comprimento de onda maior a freqüência. Os aparelhos de ondas curtas e microondas já são confeccionados com freqüência e comprimento de ondas definidos, e não se pode modular.
Ondas curtas
A diatermia por ondas curtas é a radiação não-ionizante da porção de freqüência de rádio do espectro eletromagnético. É usada por fisioterapeutas para enviar calor e energia para os tecidos situados profundamente. As ondas curtas e também o microondas tem preferência por tecidos ricos em íons. O efeito de aquecimento ocorre como resultado da fricção entre os íons que se movimentam e os tecidos ao redor, esses possuem uma corrente alternada com cargas contrárias. Os tecidos de maior condutividade são aqueles que possuem íons livres no caso músculos e sangue, portanto qualquer tecido bem vascularizado é um bom condutor, sendo o tecido adiposo o de menor condutividade causando isolamento.
Diatermia de ondas curtas pode ser liberada na forma contínua ou em pulsos. A contínua gera um aumento maior das temperaturas subcutâneas, sendo seu uso em geral limitado a patologias crônicas. A forma em pulsos significa que há períodos nos quais nenhuma onda curta é emitida, permitindo que seja empregada em determinados quadros agudos e subagudos.
Os efeitos fisiológicos podem ser térmicos causando; aumento de temperatura pelo aumento do fluxo sanguíneo, atua na inflamação, diminui a rigidez articular, alivia a dor e espasmo nos músculos profundos. Pode ser não-térmico, ou seja, mecânico, causando restauração do balanço iônico normal durante o processo inflamatório levando a uma resposta fisiológica que não é devida ao aumento de temperatura no tecido.
A escolha da dose para aplicação de ondas curtas tende a ser no sentido de uma dose mais baixa para condições mais agudas e uma dose mais alta para condições crônicas, sendo a sensação relada subjetiva. A dose 1 é a mais fraca e é relatada nenhuma alteração, a dose 2 é fraca e apresenta suave sensação de calor e a dose 3 é média apresentando moderada sensação de calor.
O aparelho de ondas curtas possui dois tipos de eletrodos. O eletrodo capacitor que possui campo elétrico maior que o campo magnético, não é interessante de ser usado em local com muito tecido adiposo, possuindo o tipo em placa e o tipo em discos. O eletrodo indutor possui campo magnético maior que o campo elétrico, a formação desse campo induz correntes secundárias que produzirá redemoinhos, ou seja, produzindo correntes circulares, sendo a melhor alternativa para áreas de muito tecido adiposo, podendo ser do tipo espiral ou tambor. O tipo tambor é mais utilizado, pois é colocado mais próximo da região a ser tratada, pois o espiral é de mais difícil posicionamento sobre a região tratada podendo produzir choque.
As técnicas de aplicação dos dois tipos de eletrodos pode ser contraplanar (transversa) com eletrodos em posições contrárias e eqüidistantes. Já a forma coplanar os eletrodos são dispostos do mesmo lado do membro, ou seja, paralelos e eqüidistantes.
Microondas
O microondas é uma modalidade de aquecimento profundo que converte energia eletromagnética de alta freqüência em calor, ou seja, radiações eletromagnéticas, não sendo tão profundo quanto as ondas curtas.
As microondas inicialmente radiadas podem ser absorvidas, transmitidas, refletidas ou refratadas. Sua penetração é inversamente proporcional ao seu comprimento de ondas.
O microondas é mais bem usado para tratar áreas com baixo conteúdo de gordura subcutânea. Pode ser utilizado de modo contínuo em que a onda é contínua ou em modo pulsado onde há momentos on e off, devendo apresentar uma freqüência de repetições de pulsos. O modo pulsado é utilizado para ter efeito mecânico e não térmico, devendo ter um balanço na freqüência de repetição de pulso e duração do mesmo.
A dose utilizada deve ser testada antes da aplicação, tendo que o paciente apresentar sensibilidade normal à dor e temperatura cutânea.
A utilização do microondas deve ter a distância de 5 a 15 cm variando entre indivíduos e deve ser o mais perpendicular possível com duração de aproximadamente 20 minutos.
Precauções das diatermias
- A pele exposta ao tratamento deve sempre ser coberta por no mínimo três centímetros de toalha;
- Examinar sensibilidade térmica e dolorosa do paciente;
- Excluir contra-indicações;
- Remover objetos metálicos;
- Assegurar que a pele esteja seca;
- Pedir ao paciente que relate qualquer sensação percebida durante o tratamento.
Indicações
- Condições inflamatórias subagudas e crônicas de camadas de tecidos profundos;
- Aumentar fluxo e metabolismo;
- Diminuir rigidez muscular;
- Promover relaxamento muscular;
- Aumento da recuperação de lesões.
Contra-indicações
- Lesões traumáticas agudas;
- Áreas com isquemia;
- Doença vascular periférica;
- Roupas úmidas;
- Tendência à hemorragia, inclusive menstruação;
- Câncer;
- Infecções;
- Gravidez;
- Áreas de sensibilidade especial: placas epifisárias em desenvolvimento, região genital, abdômen com dispositivo intra-uterino (DIU) implantado, olhos e rosto.
Segurança do terapeuta
As contra-indicações acima devem ser usadas também para o terapeuta, por isso deve ser sugerido manter uma distância do aparelho (pelo menos 1 m dos eletrodos e 0,5 m dos cabos), mas com alcance visual do paciente.
Observações
Uso das diatermias não podem ser simultâneos ou próximos de outro equipamento elétrico ligado.

Nenhum metal deve estar dentro de 1,2 metros da aplicação da diatermia.

RESUMO DE ULTRA-SOM TERAPÊUTICO

Definição

Gerador de corrente elétrica de alta freqüência, conectado a uma cerâmica piezoelétrica, que se deforma na presença de um campo elétrico, formando uma onda sonora.
À medida que a onda penetra longitudinalmente nos tecidos há a ocorrência de áreas de compressão e de rarefação resultando em:

A). Efeitos térmicos

Causas:
- Vibração das moléculas (principalmente proteínas) → aumento da energia cinética → produção de calor → aumento da temperatura tecidual

Conseqüências:
- Aumento na extensibilidade das fibras de colágeno encontradas nos tendões e cápsulas articulares;
- Diminuição da rigidez articular;
- Redução do espasmo muscular;
- Modulação da dor;
- Aumento do fluxo de sangue;
- Resposta inflamatória moderada, que pode ajudar na inflamação crônica.

B). Efeitos não-térmicos

Causas:
- Cavitação estável → formação de bolha gasosas que se expandem e se comprimem devido à mudança de pressão induzida nos líquidos teciduais pela onda ultra-sônica

- Microcorrente acústica → movimento unidirecional de líquidos ao longo dos limites da membranas celulares, resultante da onda de pressão mecânica gerada em um campo ultra-sônico

Conseqüências:
- Estimulação da atividade fibroblástica, aumentando a síntese protéica e de colágeno;
- Aumento da permeabilidade da membrana, facilitando a difusão de íons e nutrientes pela membrana;
- Aumento da regeneração tecidual;
- Promoção de cura óssea e reparo de fraturas não-consolidadas;
- Fonoforese de fármacos para os tecidos.

Freqüência dos equipamentos de ultra-som

A capacidade de penetração da onda ultra-sônica está diretamente relacionada com a freqüência do equipamento. Os equipamentos de ultra-som, em geral, apresentam freqüências de 1 MHz e 3 MHz, sendo a escolha diretamente relacionada com a profundidade de penetração.      
Em altas freqüências (3 MHz), a transmissão de energia é mais convergente, favorecendo uma maior absorção de energia pelos tecidos superficiais. Como resultado há uma redução na capacidade de penetração da onda sonora. em freqüências menores (1 MHz), a transmissão de energia é mais divergente, com isso há uma menor absorção de energia pelos tecidos superficiais, favorecendo uma maior penetração da onda sonora.

Modos de ultra-som

Podemos utilizar o US no modo contínuo e pulsado. A escolha do modo depende da quantidade de energia (intensidade) que pretendemos que chegue ao tecido a ser tratado.

No modo contínuo, como a energia ultra-sônica é gerada continuamente, a intensidade instantânea é igual à intensidade média. Em outras palavras, se a intensidade instantânea for, por exemplo, 1 W∕cm2, a intensidade média também será de  1 W∕cm2.

no modo pulsado, a energia ultra-sônica é gerada somente durante o tempo ligado. A finalidade de utilizar esse modo é reduzir a quantidade de energia ao tecido a ser tratado, com isto haverá redução dos efeitos térmicos, ocorrendo somente os efeitos não térmicos. Sendo assim, ao utilizarmos a intensidade instantânea de 1 W∕cm2 com pulsos de 50% (1:1), a intensidade média gerada será de 0,5 W∕cm2.
Seguindo o mesmo raciocínio, ao utilizarmos a intensidade instantânea de 1 W∕cm2 com pulsos de 20% (1:2), a intensidade média gerada será de 0,2 W∕cm2. para pulso de 10% (1:9), a intensidade média gerada será de 0,1 W∕cm2. Desta forma, quanto menor o percentual de pulsação, menos energia será transmitida ao tecido.

Importância clínica

Em processos inflamatórios agudos, como a área a ser tratada deve receber intensidade menor do que 0,5 W∕cm2 (preferencialmente até no máximo 0,2 W∕cm2), a fim de garantir que o tecido a ser tratado terá somente efeitos não-térmicos, a forma pulsada pode ser a melhor escolha.

Já em condições crônicas, onde o efeito térmico é importante, o ultra-som contínuo seria a melhor opção, já que neste caso, a intensidade instantânea representa à intensidade média. Vale mencionar que para o tecido a ser tratado apresentar aumento de temperatura, é necessário que chegue uma intensidade entre 0,5 e 1 W∕cm2.
Para isto, é fundamental conhecermos a profundidade do foco a ser tratado. Em termos práticos, à medida que a onda penetra, há uma atenuação, em função da absorção da onda, de 50% a cada 1 cm de profundidade. Sendo assim, se desejamos tratar um tecido que se encontra a 2 cm de profundidade, com uma intensidade suficiente para promover efeitos térmicos, devemos calcular previamente qual a melhor intensidade instantânea.

Por exemplo: se o foco a ser tratado encontra-se a 2 cm de profundidade e desejamos que efeitos térmicos ocorram nesse tecido, temos que utilizar uma intensidade instantâneo em torno de 2 W∕cm2.

Como calcular o tempo de aplicação?

De acordo com a literatura o cálculo do tempo de aplicação dependerá do tamanho da área a ser tratada e da área de radiação efetiva do cabeçote (2 a 3 minutos para cada 1 ERA e ½).

Sendo assim, se área a ser tratada apresentar um diâmetro de 4 cm, o raio será 2 cm e a área, que representa 3,14 x (raio)2, será equivalente a 12,5 cm2. De acordo com esta área a ser tratada e a ERA do cabeçote (considerar, por exemplo, ERA = 4 cm2), o tempo médio para tratamento será de aproximadamente 4 minutos e o tempo máximo de tratamento será 6 minutos.

Cálculos:

Tempo médio
2 minutos → 6 cm2
x minutos → 12,5 cm2
x = aproximadamente 4 minutos

Tempo máximo
3 minutos → 6 cm2
x minutos → 12,5 cm2
x = aproximadamente 6 minutos

Observação

O cabeçote do ultra-som possui uma área de radiação efetiva (*ERA) menor do que a sua área total. O conhecimento do tamanho da ERA do cabeçote se faz necessário para determinação do tamanho da área de tratamento. A literatura cita que a área de tratamento deve ser 2 a 3 vezes o tamanho da ERA. Sendo assim, este recurso é mais eficiente para tratar pequenas áreas.

* ERA = área da superfície do cabeçote que realmente produz onda sonora.

Para conhecer a ERA do cabeçote, devemos consultar o manual do equipamento.

Importante

Deve-se utilizar agente de acoplamento entre a pele do paciente e o cabeçote a fim de reduzir a reflexão na interface ar-tecido e facilitar a passagem da energia ultra-sônica. O agente acoplador deve:
- Ter baixo coeficiente de absorção;
- Permanecer livre de bolhas de ar durante o tratamento;
- Ser aplicado na pele com o cabeçote em contato com o meio de acoplamento antes de ligar o aparelho;
- Ser preferencialmente gel hidrossolúvel.  

Além de utilizar agente de acoplamento, o cabeçote deve ser movimentado utilizando-se movimentos circulares lentos sobrepostos e padrão de deslizamento longitudinal, a fim de proporcionar uma distribuição uniforme da energia dentro da área a ser tratada, evitando a formação de cavitação instável e pontos quentes.

Freqüência de tratamento

Processos agudos:
- Iniciar a aplicação de US dentro de 48 hs para maximizar o processo de cura.
- O uso deve ser de 1 a 2 vezes por dia, durante 6 a 8 dias até redução dos sintomas (dor e edema).

Processos crônicos:
- Aplicar o US em dias alternados até melhora dos sintomas (até no máximo 14 sesões).

Técnicas de exposição

Técnica de contato direto
  • Superfície a ser irradiada é razoavelmente plana sem muitas irregularidades
  • Uso de gel de acoplamento entre o cabeçote e a pele do paciente ou formulações farmacológicas com fins terapêuticos (fonoforese- contínuo / 1 MHz)
  • US deve atingir a pele em ângulo de 90◦
  • Movimentar o cabeçote com movimentos circulares lentos sobrepostos e longitudinais
  • Manter o cabeçote o tempo todo em contato com a pele

Técnica de imersão em água
  • Indicação
    • Área a ser tratada é menor que o diâmetro do transdutor disponível
    • Área irregular com proeminências ósseas
  • Uso de bacia de plástico, cerâmica ou borracha
  • Uso de água de torneira como meio de acoplamento
  • Movimentação do cabeçote em paralelo à superfície tratada
  • Transdutor deve ser mantido perpendicular à área tratada
  • Distância entre o cabeçote e a pele de 0,5 a 1 cm
  • Importante: consultar sobre a blindagem do transdutor para aplicação subaquática

Testes utilizados para avaliar o equipamento de ultra-som

1 – Teste para avaliar possíveis alterações no campo acústico
(periodicidade: 1 x por semana):
n  Ultra-som modo contínuo / 1 MHz
n  Colocar 1 mL de água sobre a superfície metálica do cabeçote
n  Observar o feixe ultra-sônico em baixa dose (intensidade de 0,1 W/cm2) – análise qualitativa do campo acústico do feixe US (irregularidades e tamanho da ERA)

2- Teste de cavitação:
n  Ultra-som modo contínuo / 1 MHz
n  Colocar 1 mL de água sobre a superfície metálica do cabeçote
n  Observar o feixe ultra-sônico em baixa dose (intensidade de 0,1 W/cm2)
n  Observar a lenta e constante elevação da intensidade e a qualidade da cavitação
n  Cavitação visível na intensidade de 0,1 W/cm2 (modo contínuo)
n  Nebulização da água em intensidades de 1,3 a 1,8 W/cm2

3- Teste para conferir a capacidade de transmissão em relação a um meio
  • Circundar o cabeçote com uma fita deixando 2 cm de fita
  • Encher o tubo de fita com 1 cm de espessura de gel de US
  • Encher o restante com água
  • Ajustar a intensidade e observar a bolha (contínuo / 1 MHz / 1,5 W/cm2)
  • Repetir o procedimento substituindo o gel pelo meio testado (preferencialmente gel)
  • Se a água tem pequena ou nenhuma bolha, seu meio desejado não é bom acoplamento

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

Prentice, W.E. Modalidades terapêuticas em medicina esportiva. São Paulo: Manole, 4º edição, 2002.

Guirro, E; Guirro, R. Fisioterapia dermato-funcional-fundamentos, recursos e patologias. São Paulo: Manole, 2004.


Kitchen, S.; Bazin, S. Eletroterapia prática baseada em evidência. São Paulo: Manole, 2003.