Definição
Gerador
de corrente elétrica
de alta freqüência,
conectado a uma cerâmica piezoelétrica, que se deforma na presença
de um campo
elétrico, formando uma onda sonora.
À medida
que a onda
penetra longitudinalmente
nos tecidos
há a ocorrência de áreas
de compressão e de rarefação
resultando em:
A). Efeitos térmicos
Causas:
- Vibração das moléculas
(principalmente proteínas) → aumento da energia cinética → produção de calor →
aumento da temperatura tecidual
Conseqüências:
- Aumento na extensibilidade das
fibras de colágeno encontradas nos tendões e cápsulas articulares;
- Diminuição da rigidez
articular;
- Redução do espasmo muscular;
- Modulação da dor;
- Aumento do fluxo de sangue;
- Resposta inflamatória moderada,
que pode ajudar na inflamação crônica.
B). Efeitos não-térmicos
Causas:
- Cavitação estável → formação de
bolha gasosas que se expandem e se comprimem devido à mudança de pressão
induzida nos líquidos teciduais pela onda ultra-sônica
- Microcorrente acústica →
movimento unidirecional de líquidos ao longo dos limites da membranas
celulares, resultante da onda de pressão mecânica gerada em um campo
ultra-sônico
Conseqüências:
- Estimulação da atividade
fibroblástica, aumentando a síntese protéica e de colágeno;
- Aumento da permeabilidade da
membrana, facilitando a difusão de íons e nutrientes pela membrana;
- Aumento da regeneração
tecidual;
- Promoção de cura óssea e reparo
de fraturas não-consolidadas;
- Fonoforese de fármacos para os
tecidos.
Freqüência dos equipamentos de ultra-som
A capacidade
de penetração da onda
ultra-sônica está diretamente
relacionada com a freqüência
do equipamento. Os equipamentos
de ultra-som, em
geral, apresentam freqüências
de 1 MHz e 3 MHz, sendo a escolha diretamente relacionada com
a profundidade de penetração.
Em
altas freqüências
(3 MHz), a transmissão de energia é mais
convergente, favorecendo uma maior absorção de energia
pelos tecidos
superficiais. Como
resultado há uma redução na capacidade de penetração
da onda sonora.
Já em
freqüências menores
(1 MHz), a transmissão de energia é mais divergente, com
isso há uma menor
absorção de energia
pelos tecidos
superficiais, favorecendo uma maior penetração
da onda sonora.
Modos de ultra-som
Podemos utilizar o US no modo
contínuo e pulsado. A escolha do modo depende da quantidade de energia
(intensidade) que pretendemos que chegue ao tecido a ser tratado.
No modo contínuo, como a energia
ultra-sônica é gerada continuamente, a intensidade instantânea é igual à
intensidade média. Em outras palavras, se a intensidade instantânea for, por
exemplo, 1 W∕cm2, a intensidade média também será de 1 W∕cm2.
Já
no modo pulsado, a energia
ultra-sônica é gerada somente
durante o tempo
ligado. A finalidade de utilizar
esse modo
é reduzir a quantidade de
energia ao tecido
a ser tratado,
com isto
haverá redução dos efeitos térmicos, ocorrendo somente
os efeitos não
térmicos. Sendo assim,
ao utilizarmos a intensidade instantânea de 1 W∕cm2 com
pulsos de 50% (1:1), a intensidade média gerada
será de 0,5 W∕cm2.
Seguindo o mesmo
raciocínio, ao utilizarmos a intensidade instantânea
de 1 W∕cm2 com pulsos de 20% (1:2), a intensidade
média gerada será de 0,2 W∕cm2. Já para pulso de 10% (1:9), a intensidade
média gerada será de 0,1 W∕cm2. Desta forma, quanto menor o percentual
de pulsação, menos energia
será transmitida ao tecido.
Importância clínica
Em processos inflamatórios
agudos, como a área a ser tratada deve receber intensidade menor do que 0,5
W∕cm2 (preferencialmente até no máximo 0,2 W∕cm2), a fim
de garantir que o tecido a ser tratado terá somente efeitos não-térmicos, a forma
pulsada pode ser a melhor escolha.
Já em condições crônicas, onde o
efeito térmico é importante, o ultra-som contínuo seria a melhor opção, já que
neste caso, a intensidade instantânea representa à intensidade média. Vale
mencionar que para o tecido a ser tratado apresentar aumento de temperatura, é
necessário que chegue uma intensidade entre 0,5 e 1 W∕cm2.
Para isto, é fundamental
conhecermos a profundidade do foco a ser tratado. Em termos práticos,
à medida que
a onda penetra,
há uma atenuação, em função da absorção
da onda, de 50% a cada
1 cm de profundidade. Sendo assim, se desejamos tratar
um tecido
que se encontra
a 2 cm de
profundidade, com
uma intensidade suficiente
para promover efeitos térmicos,
devemos calcular previamente qual
a melhor intensidade
instantânea.
Por exemplo: se o foco a ser
tratado encontra-se a 2 cm
de profundidade e desejamos que efeitos térmicos ocorram nesse tecido, temos
que utilizar uma intensidade instantâneo em torno de 2 W∕cm2.
Como calcular o tempo de
aplicação?
De acordo
com a literatura
o cálculo do tempo
de aplicação dependerá do tamanho
da área a ser
tratada e da área de radiação efetiva do cabeçote (2 a 3 minutos para cada 1
ERA e ½).
Sendo assim,
se área a ser
tratada apresentar
um diâmetro
de 4 cm, o raio será 2 cm e a área, que
representa 3,14 x (raio)2,
será equivalente a 12,5 cm2. De acordo
com esta área a ser tratada e a ERA do
cabeçote (considerar, por exemplo, ERA = 4 cm2), o tempo médio para tratamento será de aproximadamente 4 minutos e o tempo máximo de
tratamento será 6 minutos.
Cálculos:
Tempo
médio
2 minutos
→ 6 cm2
x minutos
→ 12,5 cm2
x = aproximadamente 4 minutos
Tempo
máximo
3 minutos
→ 6 cm2
x minutos
→ 12,5 cm2
x = aproximadamente 6 minutos
Observação
O cabeçote
do ultra-som possui uma área de radiação
efetiva (*ERA)
menor do que
a sua área
total. O conhecimento
do tamanho da ERA
do cabeçote se faz necessário
para determinação
do tamanho da área
de tratamento. A literatura
cita que a área
de tratamento deve ser
2 a 3 vezes o tamanho
da ERA. Sendo assim,
este recurso
é mais eficiente
para tratar pequenas áreas.
* ERA
= área da superfície
do cabeçote que
realmente produz onda
sonora.
Para conhecer
a ERA do cabeçote,
devemos consultar o manual
do equipamento.
Importante
Deve-se utilizar
agente de acoplamento
entre a pele
do paciente e o cabeçote
a fim de reduzir
a reflexão na interface
ar-tecido e facilitar a passagem
da energia ultra-sônica.
O agente acoplador deve:
- Ter
baixo coeficiente
de absorção;
- Permanecer
livre de bolhas
de ar durante
o tratamento;
- Ser
aplicado na pele com
o cabeçote em
contato com
o meio de acoplamento
antes de ligar
o aparelho;
- Ser preferencialmente gel
hidrossolúvel.
Além
de utilizar agente
de acoplamento, o cabeçote
deve ser movimentado
utilizando-se movimentos circulares lentos
sobrepostos e padrão de deslizamento longitudinal,
a fim de proporcionar
uma distribuição uniforme
da energia dentro
da área a ser
tratada, evitando a formação
de cavitação instável
e pontos quentes.
Freqüência de tratamento
Processos
agudos:
- Iniciar
a aplicação de US dentro
de 48 hs para maximizar
o processo de cura.
- O uso
deve ser de 1 a 2 vezes
por dia,
durante 6 a 8 dias
até redução dos sintomas
(dor e edema).
Processos
crônicos:
- Aplicar
o US em dias
alternados até melhora
dos sintomas (até
no máximo 14 sesões).
Técnicas de exposição
Técnica
de contato direto
- Superfície a
ser irradiada é razoavelmente plana sem
muitas irregularidades
- Uso de gel de acoplamento
entre o cabeçote
e a pele do paciente
ou formulações
farmacológicas com fins terapêuticos
(fonoforese- contínuo / 1 MHz)
- US deve atingir a pele em ângulo de 90◦
- Movimentar o cabeçote com
movimentos circulares
lentos sobrepostos e longitudinais
- Manter o cabeçote o tempo
todo em
contato com
a pele
Técnica de imersão
em água
- Indicação
- Área a ser tratada é menor que
o diâmetro do transdutor disponível
- Área irregular com
proeminências ósseas
- Uso de bacia de plástico,
cerâmica ou
borracha
- Uso de água de torneira
como meio
de acoplamento
- Movimentação do cabeçote em
paralelo à superfície
tratada
- Transdutor deve ser
mantido perpendicular à área
tratada
- Distância entre o cabeçote
e a pele de 0,5 a 1 cm
- Importante: consultar sobre
a blindagem do transdutor para aplicação
subaquática
Testes
utilizados para avaliar o
equipamento de ultra-som
1 – Teste
para avaliar possíveis alterações no campo
acústico
(periodicidade: 1 x por semana):
n
Ultra-som
modo contínuo
/ 1 MHz
n
Colocar 1 mL de água sobre a superfície metálica
do cabeçote
n
Observar o feixe ultra-sônico
em baixa
dose (intensidade
de 0,1 W/cm2) – análise qualitativa do campo
acústico do feixe
US (irregularidades e tamanho da ERA)
2- Teste
de cavitação:
n
Ultra-som
modo contínuo
/ 1 MHz
n
Colocar 1 mL de água sobre a superfície metálica
do cabeçote
n
Observar o feixe ultra-sônico
em baixa
dose (intensidade
de 0,1 W/cm2)
n
Observar a lenta e constante
elevação da intensidade
e a qualidade da cavitação
n
Cavitação
visível na intensidade
de 0,1 W/cm2 (modo contínuo)
n
Nebulização
da água em
intensidades de 1,3 a 1,8 W/cm2
3- Teste
para conferir a capacidade de transmissão
em relação
a um meio
- Circundar o cabeçote com
uma fita deixando 2 cm de fita
- Encher o tubo de fita
com 1 cm de espessura de gel
de US
- Encher o restante com água
- Ajustar a intensidade e observar
a bolha (contínuo
/ 1 MHz / 1,5 W/cm2)
- Repetir o procedimento
substituindo o gel pelo
meio testado (preferencialmente
gel)
- Se a água
tem pequena ou
nenhuma bolha, seu
meio desejado não
é bom acoplamento
BIBLIOGRAFIA
UTILIZADA
Prentice, W.E. Modalidades terapêuticas
em medicina esportiva. São
Paulo: Manole, 4º edição, 2002.
Guirro, E; Guirro, R. Fisioterapia dermato-funcional-fundamentos, recursos e patologias.
São Paulo: Manole, 2004.
Kitchen, S.; Bazin, S. Eletroterapia
prática baseada
em evidência. São
Paulo: Manole, 2003.